Irã: a sagrada Qom e o Mausoléu de Khomeini

Duas atrações muito particulares no meu passeio pelo Irã no ano passado se relacionavam diretamente com o universo do islamismo xiita entronizado no país pela revolução dos aiatolás em 1979. Minha curiosidade, naturalmente, era apenas arquitetônica e antropológica. Os dois lugares são tidos entre os mais sagrados para os iranianos.

O primeiro foi a cidade de Qom, a segunda mais sacrossanta do Irã depois de Mashhad. As duas representam para os religiosos de lá o que o Vaticano significa para os católicos. Em Qom, nada me interessava além do vastíssimo Santuário de Fatima Masumeh, parenta de dois Imans que passou a ser também cultuada pelos xiitas. O impacto começa já na grande praça que se abre para outras praças do santuário, com seus portais e minaretes brilhando contra o céu.

O complexo imenso abriga vários recintos interligados num labirinto coalhado de lustres imensos, paredes cobertas de mosaicos de espelhos, tapetes a perder de vista e uma multidão absorta em suas orações e pensamentos. O vídeo que lá gravei dá uma boa ideia da extensão do santuário e da diversidade da decoração, que estonteia de tanto brilho e cores. Tive a sorte de flagrar um pouco da pregação de um dos sacerdotes.

Fora do santuário, ainda circulei um pouco pela belíssima Mesquita Saidan, o bazar de Qom e um cemitério dedicado aos “mártires” da guerra contra o Iraque.

De lá, meu guia Ali Edraki conduziu-me ao Mausoléu de Ruhollah Khomeini, já nas cercanias de Teerã, que seria o ponto final da minha viagem. Essa é mais uma construção descomunal do regime teocrático, destinada a abrigar os restos mortais não só do líder da revolução islâmica, mas também de seus parentes e de ex-presidentes e políticos importantes.

O complexo ainda se ampliava em 2023, mas o edifício principal já está assentado desde os anos 1990. Sua arquitetura pesada lembra prédios da Itália fascista. O interior tem uma beleza opressiva talhada em mármore e concreto com decoração sóbria. Todas as atenções se voltam para a grande urna central onde repousa o que sobrou do aiatolá revolucionário.

O vídeo tem 25 minutos e trilha musical de Michael Stearns.

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