LO QUE QUEDA EN EL CAMINO
Não resta dúvida de que o empenho documental de Jakob Krese e Danilo do Carmo é excepcional em Lo que Queda en el Camino. Acompanhar a incrível jornada de Lilian, seus quatro filhos e um quinto em gestação na tentativa de alcançar a fronteira do México com os EUA desde a Guatemala, mantendo a qualidade das imagens e do som, foi certamente uma façanha.
Fugindo da pobreza e de um marido abusivo, o quinteto atravessa cerca de 4 mil quilômetros em caronas de caminhão, de trem e em árduas caminhadas. Ao longo de nove semanas, dormem ao relento, em barracas improvisadas ou em eventuais abrigos. Tornam-se mendigos de estrada, mas vivem também momentos de diversão e ternura.
O road movie de imigração aponta para uma esperança talvez ilusória, de um novo possível companheiro de Lilian que a receberá no Arizona. O drama dessa mulher é o de tantas, pouco mais que meninas, presas de uma ingenuidade compensada pela determinação.
Os diretores registram conversas capazes de insinuar alguma contextualização, mas tenho dúvidas se o método observacional foi suficiente para dar conta de um trajeto tão atribulado. Deixando de lado qualquer informação que não viesse do que foi captado diretamente pela câmera, o filme resulta um tanto obscuro quanto ao funcionamento das caravanas de imigrantes que se lançam naquelas estradas. São muitas elipses no caminho, encobrindo os elos que fazem as pessoas avançarem. Assim, ficamos com uma exposição crua da saga de Lilian, mas não compreendemos muito bem o fenômeno mais geral.
>> Lo que Queda em el Camino está nos cinemas.

