BANEL & ADAMA
A produção senegalesa Banel & Adama trata da oposição clássica entre as liberdades do amor romântico e as convenções de uma sociedade baseada nas crenças e na tradição. Banel (Khady Mane), a real protagonista do filme, é uma mulher questionadora que se rebela contra as regras de gênero de sua aldeia. Está casada e apaixonada por Adama (Mamadou Diallo), pastor de rebanhos que se curva mais facilmente às normas locais, embora se recuse a assumir o posto de chefe da aldeia. O casamento é fruto de um compromisso assumido após a morte do primeiro marido de Banel, irmão mais velho de Adama.
A rebeldia de Banel é simbolizada pelo seu hábito de matar passarinhos com um estilingue. Nada a dissuade da intenção de escavar uma casa tida como amaldiçoada para morar com Adama fora dos limites da aldeia. A obsessão em levar uma vida à margem da comunidade atrai a desaprovação geral. Como de praxe na mitologia de certos países africanos, isso invoca dias infelizes para a comunidade. Em Moçambique, por exemplo, seria chamado de bruxaria.
Daí que, a partir de certo ponto, o filme de estreia da diretora franco-senegalesa Ramata-Toulaye Sy concentra-se em descrever os efeitos da longa estiagem que se abate sobre a região. Sob o sol inclemente, o gado morre, pessoas morrem, o calor amortece os ânimos. A saída para o impasse ficará entre a realidade e a magia.
A narrativa é clássica e sintética. A beleza plástica das imagens de Amine Berrada cria um distintivo atraente. O filme é um tanto posado no início, com Khady Mane movendo-se mais como uma modelo do que como uma aldeã comum. Felizmente, ela abandona essa postura à medida que o papel requer mais e mais dramaticidade. No fim das contas, temos um exemplar curioso de um cinema africano que raramente tem chegado por aqui.
>> Banel & Adama está nos cinemas.

