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Maria Bethania, Ítala Nandi, Tamara Taxman, Zezé Motta… O que mais chama atenção no documentário sobre Antonio Pitanga é o número de mulheres famosas que admitem terem caído no charme do baiano bem dotado antes que Vera Manhães e depois Benedita da Silva o fisgassem de jeito. Já ouvi de algumas amigas restrições a esse perfil donjuanesco. Sem dúvida, PITANGA é um desfile de memórias de um galanteador. Mas não é só isso. É o retrato de um ator carismático, feito justamente ali onde os carismáticos se revelam: no contato com os outros. A cada dois minutos de filme, Pitanga é visto em companhia de uma pessoa diferente. Todos atuam como uma espécie de “escada” documental para o personagem se espalhar. “Eu quero ser um negro em movimento”, afirma, se referindo à política, mas a frase cabe nele por inteiro como uma malha de dança.

Beto Brant e Camila Pitanga não pouparam contatos para contar a história de Pitanga através de dezenas de encontros em diversas cidades. O elenco é espantoso. E serve à afirmação de Pitanga não somente como um Don Juan, mas como a figura polivalente que é: homem de muitos ofícios, ativista da negritude, político, ator, diretor e “pãe” dos filhos Camila e Rocco. A estrutura do filme é bastante fragmentada, por vezes muito dependente das conversas gravadas em condições heterogêneas. Em compensação, o rosário de elogios habitual nesse tipo de doc é amenizado pelo tom de pilhéria ou pela emoção legítima que brota de algumas falas.

Houve também a intenção, não plenamente realizada, de inserir “novos Pitangas” na pele de atores e músicos jovens que levam adiante o engajamento e a vitalidade do velho Pitanga. Esses comentários ficaram um tanto apartados da tessitura principal do filme.

De qualquer forma, exuberante de simpatia e divertidíssimo em muitos momentos, PITANGA faz jus à imagem do ator. Para esclarecer ainda melhor sua trajetória, seria o caso de mencionar como, afinal, Antonio Luiz Sampaio ganhou esse sobrenome artístico. Pitanga era seu apelido de moleque soterapolitano, levado para o primeiro personagem que ele faria no cinema, em Bahia de Todos os Santos (1960), de Trigueirinho Neto. O nome Antonio Pitanga só apareceria em créditos a partir de Menino de Engenho, em 1965.