Os infernos da alma segundo Munch

MUNCH: AMOR, FANTASMAS E VAMPIRAS

O espetacular Museu Munch é uma das grandes atrações de Oslo. Estive lá em setembro último e pude mergulhar um pouco nos mistérios da obra de Edvard Munch (1863-1944). A inauguração do museu em 2021, às margens do Fiorde de Oslo, reavivou o interesse pela obra do grande pintor norueguês. Um dos subprodutos daquele momento foi o documentário Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras (Munch: Love, Ghosts and Lady Vampires), coprodução ítalo-norueguesa dirigido por Michele Mally, especialista em filmes sobre arte.

Não é propriamente uma biografia, mas um arrazoado sobre as relações e influências de Munch à luz da Escandinávia do seu tempo. Daí que o filme se estenda também sobre os dramaturgos Henrik Ibsen e August Strindberg, o músico Edvard Grieg e outros artistas da época. Além – como não poderia deixar de ser – as mulheres que encantaram e, mais ainda, assombraram a vida de Munch. Mulheres fatais, “vampiras” que frequentam seus quadros.

Uma narração dramatizada pela atriz Ingrid Bolsø Berdal dá um certo tom de televisão cafona aos escritos e pensamentos do pintor. Descontado esse tratamento romanesco demais, o filme descreve com propriedade a infância de Munch, atormentada pelos castigos do pai e as doenças da família, sua juventude boêmia, os casos tormentosos com amigos e amantes, o alcoolismo e as alucinações que acabaram se refletindo nas figuras deformadas de suas telas depois que ele rompeu com o realismo.

Munch foi o pintor das emoções – o ciúme, a melancolia, os infernos da alma ganham corpo nas pinturas. Historiadores da arte, curadores e sua biógrafa esmiuçam as motivações e personagens “ocultos” de quadros famosos como O Grito, Ciúme, A Dança da Vida e Noite na Rua Karl Johan. Ali se veem não só os vivos, mas também defuntos e efígies fantasmáticas.

Entre as boas informações passadas pelo filme estão as experiências de Munch para além das tintas. Influenciado pela curiosidade da virada do século a respeito do ocultismo e das novas tecnologias, ele fez incursões pelas “fotografias de fantasmas” e pelo cinema amador. O documentário, ao incorporar imagens da Noruega atual e vinhetas poéticas, procura ecoar o trânsito de Munch entre o passado e o presente, o real e o imaginário. É uma bonita viagem a partir do Museu Munch.

>> Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras está nos cinemas.

Aproveite para ver também o meu vídeo de Oslo, com muitas imagens do Museu Munch.

Trailer em inglês:

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