Ladrões e Bicicletas

Não sei se tem a ver com a minha chegada, mas ontem (terça) a chuva se foi e o sol se abriu sobre Belo Horizonte. No Palácio das Artes, a turma boa do Fórum Doc BH ocupava o Cinema Humberto Mauro e o café adjacente. Uma pena que a livraria Letras e Artes esteja desmobilizada.…

Os faróis de Neville D’Almeida

“Genet, que não era cineasta, foi capaz de fazer um dos filmes mais mitológicos da história do cinema.A coragem, a liberdade, a sensibilidade deste filme feito em 1950 tiveram um impacto brutal. Foi interditado, proibido e ameaçado de ter os negativos queimados. Genial”. Neville D’Almeida refere-se a Un Chant d’Amour, de Jean Genet, apontado como…

Três dias no Fórum

Atendendo ao gentil convite de Aline Ferreira, vou enfim conhecer in loco o Fórum Doc BH – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. Eles estão em festa de 15 anos – o tempo em que eu os acompanho à distância, por exiguidade de agenda e falta de oportunidade. Minha estada vai ser…

Os faróis de Malu De Martino

“Das posições de câmera inusitadas à narração super bem aplicada, O Escafandro e a Borboleta é um quadro pintado por aquele que considero um artista plástico dos melhores e que não se contenta com uma ou outra tela, e sim com todas as possíveis.” Este filme de Julian Schanbel é um dos faróis da diretora brasileira Malu…

A revista do Gustavo

Saiu finalmente do forno a edição 55 da revista Filme Cultura. Na capa, como se vê abaixo, a fina estampa de Gustavo Dahl. Não podia ser diferente. A Filme Cultura foi um dos últimos projetos por que Gustavo se apaixonou. Dirigir a revista juntava nele o apetite de gestor com a gana de criador. Seu…

Crônicas do fim do mundo

Apesar do sobrenome, o doc-artista catalão Carlos Casas não parece muito enamorado pela ideia de ficar em casa. Longe disso, ele escolheu lugares extremos do mundo para fazer seus filmes bastante peculiares. Sejam madeireiros da Patagônia argentina, sejam pescadores do Mar do Aral ou caçadores da Sibéria profunda, seus personagens são figuras desgarradas em paisagens…

Os faróis de Vinícius Reis

“Paulo José e Dina Sfat se amando numa garagem ao som de “Essa garota é papo firme”, do Roberto Carlos, é uma cena que faz você desejar o cinema. Descobri a antropofagia em uma tarde de 1987, no Estação Botafogo!” Isso é Vinícius Reis (A Cobra Fumou, Praça Saens Peña) falando de Macunaíma, de Joaquim Pedro de…

Vida de antropólogo

Ao olho seco da teoria, biografia e filme etnográfico não têm muito em comum. A biografia é uma construção voltada para o tempo, uma ordenação mais ou menos cronológica de fatos da vida de alguém. Na imensa maioria das vezes, enfoca indivíduos isoladamente. O filme etnográfico, por sua vez, é coisa que se faz no…

Viagens na garupa do cinema

Pequenos comentários sobre alguns filmes vistos na 15ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico, que continua até quinta-feira no Museu da República: O MANUSCRITO PERDIDO, de José Barahona Cartas portuguesas. A correspondência está no cerne desse doc em co-produção luso-brasileira, exibido na noite de abertura da mostra. Tudo começou quando José Eduardo Agualusa publicou as cartas de…

Seres híbridos em filme híbrido

Certos filmes me deixam num estado de perplexidade quando os vejo pela primeira vez. Saio com a certeza de que preciso revê-los, quando então tudo pode acontecer: da rejeição frontal à apreciação apaixonada, passando por todos os estágios intermediários. Foi o que aconteceu quando assisti pela primeira vez a O Céu Sobre os Ombros. Cheguei…

Buffet etnográfico

O calendário de festivais de cinema no Rio ficou com uma lacuna irreparável no ano passado. Por dificuldades na busca de patrocínio, Patrícia Monte-Mór e José Inácio Parente não puderam realizar a Mostra Internacional do Filme Etnográfico. Este ano, felizmente, a mostra volta em sua 15ª edição com toda força e patrocínio da Eletrobrás, Secretaria…

Recine: o júri popular

Envolvido que estava até o pescoço com os afazeres do júri oficial, deixei de publicar aqui os premiados pelo júri popular no Recine 2011, que terminou domingo passado. Peço desculpas pela omissão. MELHOR LONGA PELO JÚRI POPULAR – Clementina de Jesus – Rainha Quelé, de Werinton Kermes Não me agradou particularmente esta hagiografia da grande…

Substantivo concreto

Nos primeiros minutos de Reidy, a Construção da Utopia, a gente tem a impressão (desanimadora) de que vai assistir a mais uma biografia ilustrada pelo audiovisual. Felizmente, isso é passageiro. Ana Maria Magalhães, sobrinha do personagem, usa as sequências iniciais para se desvencilhar rapidamente de alguns dados biográficos e passar logo ao que lhe interessa…

Premiados do Recine 2011

Não foi um chá-das-cinco a reunião final do júri da mostra competitiva do Recine 2011. Houve muito debate e algumas divergências frontais antes de chegarmos a uma lista de premiados que atendesse às distintas exigências dos componentes (Eduardo Escorel, Lúcia Murat, Mauricio Lissovsky, Vladimir Carvalho e eu). Mas, no fim das contas, essas escolhas espelham…

Caminhos de Selton

Pensando aqui com meus botões: o que levou Selton Mello a dirigir dois filmes tão diferentes como Feliz Natal e O Palhaço? Indagando aos meus botões: o que fez Feliz Natal fechar carreira com minguados 28.759 espectadores, enquanto O Palhaço vai rompendo a faixa dos 600.000 em sua segunda semana de exibição? Especulando com meus…

Nostra Itália

Começa hoje (segunda) à noite no Arquivo Nacional a densa programação do Recine – Festival Internacional de Cinema de Arquivo (veja o site). Em sua décima edição, o Recine festeja as relações cinematográficas entre Brasil e Itália. Por conta disso haverá uma retrospectiva com quase 200 filmes (brasileiros e italianos), um ciclo de debates e…

Águas de Mauro

Para deixar na memória aqui do blog, publico a paródia de Águas de Março que fiz para a coluna “O Que é Cinema Brasileiro” da Revista Zingu!. Nesta versão, fiz duas ou três pequenas alterações. É para ser cantada com a melodia e a métrica da canção de Tom Jobim. É sol, é terra, é…

Corpo sem alma

(Texto publicado originalmente durante o Festival do Rio) A Pele que Habito me dá a nítida impressão de que Almodóvar realmente mudou de pele com o passar dos anos. Depois da fase transgressora e “suja” dos anos 1980, a partir de Carne Trêmula ele se transmutou num elegante contador de histórias absurdas, mas ainda trabalhando…

Os faróis de Ricardo Miranda

“Uma das tarefas é achar imagens que não bloqueiem a imaginação do espectador”. Jean-Marie Straub citado por Ricardo Miranda a propósito de um de seus filmes-faróis. Veja as 10 escolhas de Ricardo no blog Faróis do Cinema.

O homem diluído na História

(Parte de um texto publicado por ocasião do Festival É Tudo Verdade) Tancredo, a Travessia é mais um dos tours-de-force de Silvio Tendler na área da recompilação histórica baseada em vasta coleta de material de arquivo, depoimentos um tanto oficiais e um texto de narração onisciente – tudo organizado segundo uma estrita cronologia linear. O didatismo, apreciado por…