A volta dos rockumentários

Woodstock, Gimme Shelter, Monterey Pop. Houve um tempo, entre o final dos anos 1960 e início dos 70, em que os megafestivais de rock eram tudo com que um documentarista americano sonhava. Muita música ao ar livre, multidões de jovens à disposição da câmera, clima de sexo e drogas livres, uma sensação de que o mundo estava mudando em cores e a todo volume.

Depois a onda passou. O sonho acabou e os rockumentaries viraram cults de locadora.

Mas de uns tempos para cá houve um revival do gênero. Há três anos, Julien Temple reuniu imagens de várias edições do Festival de Glastonbury, na Inglaterra, cuja primeira vez foi em 1970. O DVD de Glastonbury saiu no Brasil. Outros exemplos recentes se baseiam em material filmado na era de ouro desses festivais. É o caso de Festival Express (2003), de Bob Smeaton e Frank Cvitanovich, sobre a viagem de um grupo de estrelas do rock pelo Canadá em 1970. Message to Love: The Isle of Wight Festival (1997), de Murray Lerner, foi uma rememoração da terceira e última edição do evento que balançou aquela ilha ao sul da Inglaterra entre 1968 e 1970.

affiche_soul_powerSemana passada foi lançado em Nova York um novo opus com sabor nostálgico. Soul Power resgata os materiais filmados por Albert Maysles (diretor de Gimme Shelter) e outros cinegrafistas durante o Zaire’74, um super show armado para acompanhar a luta entre Muhammad Ali e George Foreman em Kinshasa, 1974. Era uma celebração da cultura negra em plena ditadura de Mobutu Sese Seko. Mas a luta seria adiada em cima da hora porque Foreman machucou o olho. O show aconteceu assim mesmo. Sem dinheiro para a pós-produção, o material ficou nas latas. Uma pequena parte foi incluída em When We Were Kings, de Leon Gast, que documentou o encontro dos boxeadores.

Finalizado agora em grande estilo por Jeffrey Levy-Hinte, Soul Power reúne performances de, entre outros, B.B. King, Manu Dibango, Celia Cruz, Miriam Makeba e – é claro, em se tratando do poder do soul – Sua Majestade James Brown. Ao que parece, o doc também recupera a crônica da produção do evento e o contexto político-cultural em que tudo aconteceu. Não é de dar água na boca?

Leia mais sobre o filme no The New York Times

Veja o trailer no Youtube       

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