Travessuras de Laurie

Com seu ar de garoto travesso, Laurie Anderson abriu ontem pessoalmente a sua exposição I in You / Eu em Tu no CCBB-RJ. A moça trouxe seus violinos performáticos, vídeos e duas instalações de encher os olhos (e ouvidos). Numa delas, poemas audiovisuais são projetados em quatro telas de formatos e tamanhos diferentes. Na outra, a mais bela de todas, a “tela” é uma paisagem construída com picotes de papel sugerindo campos e aldeias, sobre a qual são projetadas imagens e grafismos de diversas naturezas.

Vi tudo sem muita calma, em meio à pequena multidão que acorreu à abertura. Quero voltar. Na verdade, gostaria de me mudar para aquela sala da paisagem. Ficar ali uns três meses ouvindo as experimentações musicais de Laurie e apreciando a brisa das imagens passar sobre os vales de papel.

A exposição tem fotos da Laurie performer em distintas fases de sua vida. Quando jovem ela gostava de dormir em lugares públicos inusitados para ver se o local influenciava seus sonhos. As fotos dessas performances me lembram uma série de fotografias que faço de gente dormindo em lugares públicos (veja aqui). À esquerda, uma das fotos de Laurie.

Abaixo, um trecho da performance Duet on Ice, que gravei com meu celular na noite de ontem. Ela repete hoje às 18 horas no saguão do CCBB. E às 18h30 faz palestra. Na performance original, Laurie calçava os blocos de gelo para determinar o tempo de duração do ato. Quando o gelo derretia e ela começava a perder o equilíbrio, era hora de terminar.    

 

Um comentário sobre “Travessuras de Laurie

  1. A instalação é uma delícia. Fiquei meia hora ali, absorto, tentando desvendar as entrelinhas daquelas nuances visuais. Há algo de vida e de morte suspenso no ar. Alguns animais simbólicos nesse sentido: o gato (o animal das múltiplas vidas) e o coelho (o animal das múltiplas procriações). Vejo também uma referência à natureza da memória: suja, fugidia, fotográfica. Certas imagens só são identificadas pela repetição. Sugiro que o espectador se desligue e faça um esforço de ficar ali por uns 40 minutos deixando ser invadido por aquele cinema em loop. E é incrível como a cada retorno ao ponto inicial (que não é exatamente o ponto de início do vídeo, mas o “seu” ponto de início) as imagens são as mesmas, mas a nossa percepção é outra, como um gesto de se deixar ser alimentado, degustando pacientemente cada frame, cada textura.

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