Pílulas na rede 3

Mais comentários postados recentemente nas redes sociais sobre filmes e peças: Além de seu excelente trabalho como redator da Filme Cultura (aguardem o número 56, em junho), Luís Alberto Rocha Melo me deu outra alegria com seu novo filme, NENHUMA FÓRMULA PARA A CONTEMPORÂNEA VISÃO DO MUNDO. Paródia de um processo de contratação artística envolvendo…

Os meninos de Pina

Liliam Hargreaves, a superdivulgadora do Grupo Estação, foi quem me deu o toque: enquanto os bailarinos de Pina/Wenders estão de corpos e almas completamente inebriados pela coreógrafa, os meninos e meninas de Sonhos em Movimento não têm muita ideia do que representa Pina Bausch. Um deles chega a dizer que nunca tinha ouvido falar dela…

Ação e reflexão

É Tudo Verdade – Pena que só depois de morto Augusto Boal ganhou um documentário capaz de sintetizar o seu trabalho seminal para a democratização do teatro no Brasil e no mundo. Vê-lo descrever suas experiências em Augusto Boal e o Teatro do Oprimido é talvez a melhor forma de apreendê-las, já que ele é…

Notas ao redor de “Pina”

Por sorte, o primeiro grande filme sobre artes cênicas em 3D reúne dois nomes dignos da efeméride: Pina Bausch, a coreógrafa que alterou completamente o estatuto da dança no mundo, e Wim Wenders, um dos melhores pagadores de tributo via cinema. Pina é um filme glorioso, que nos encanta e arrebata, fazendo-nos sentir quase na…

Julia entre dois mundos

Julia, a peça-filme que deu a Christiane Jatahy o Prêmio Shell de direção e fica em cartaz nos dois próximos fins de semana no Espaço Sérgio Porto, é uma das melhores coisas que há para ver na cidade. Adaptando a peça Senhorita Julia, de August Strindberg, para uma ambientação superficialmente brasileira, o espetáculo condensa toda…

20 anos de teatro cidadão

De Brecht à Bósnia, de Lima Barreto a Heiner Müller, de Martins Penna a João Cabral de Melo Neto, o repertório da Companhia Ensaio Aberto é um elogio do teatro como mix de divertimento e reflexão política. Luiz Fernando Lobo, Tuca Moraes e sua trupe estão há 20 anos na estrada e comemoram a data…

De frente para o palco

Estamos assistindo a uma nova onda de interesse pela relação entre o cinema brasileiro e o teatro. Diversos filmes têm investido nesse diálogo – a começar, talvez, por Moscou, de Eduardo Coutinho, que tentava abrir camadas de significação por trás dos ensaios para uma pseudomontagem de As Três Irmãs, de Tchekov. Essa disposição do cinema…

Por dentro da Missa

Antes de publicar o post anterior, sobre a montagem em cartaz de Missa dos Quilombos, eu tinha enviado algumas perguntas ao diretor Luiz Fernando Lobo. As respostas chegaram depois da publicação. Segue aqui a entrevista: ………………………………………………………………………………………………… – Esta parece ser a sétima vez que você monta o espetáculo. Qual a principal novidade dessa atual montagem,…

Ópera operária

Dê uma pausa na dupla Botelho & Moeller e se ligue num autêntico musical brasileiro. Missa dos Quilombos está só até terça que vem no Armazém da Utopia, no cais do porto. A Missa na verdade é uma ópera afro-brasileira, escrita há 30 anos por Milton Nascimento, Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra. Já foi montada…

Beleza e força

Diversão de domingo: Como uma pausa em tanto assunto sério aqui no blog, aí vai um vídeo que me deixou boquiaberto. A moça converte o erotismo banal da Pole Dance em momentos de pura graça corporal e arte dos músculos. Obs.: Cheguei ao vídeo através de Paulo Noël no Facebook

Hipócritas!

“Upocritès”, ensina o professor a seus alunos no primeiro ato da peça, é a palavra grega que serve para designar comediante, fingimento, hipocrisia. Ele mesmo, o professor, tem uma missão hipócrita a cumprir. Engravidou a mãe de um de seus alunos enquanto o pai estava em viagem. O capitão chega hoje e terá uma noite…

El xamã de São Tomé das Letras

Em agosto de 1981, uma troupe de loucos atores argentinos bagunçou o coreto da Praça da República, em São Paulo, com uma performance artaudiana em que simulavam estar morrendo envenenados. Parte do povo os agrediu, parte os socorreu, e foram todos parar na Santa Casa de Misericórdia… E depois na polícia. Eram integrantes do Taller…

Emoções nuas

É chato elogiar publicamente o trabalho de irmão. Mas quando se tem uma meia-irmã como Monique Gardenberg, às vezes não dá pra evitar. Monique é fera em tudo o que faz: produção de música e de festivais, direção de filmes, programas de TV, shows, peças de teatro. Ela sabe que não curto muito Ó Paí,…

Apontamentos sobre os ‘Appunti’ de Pasolini

O Instituto Moreira Salles exibe nos dias 14, 19 e 27 o raro filme Anotações para Filmar Orestes na África (Appunti per un’Orestiade Africana), de Pier Paolo Pasolini. Abaixo, o texto que escrevi para o folder mensal do IMS:     1.  O formato de “Apontamentos”, “Anotações” ou simplesmente “Notas” costuma ser adotado por cineastas de várias latitudes…

No santuário do Kabuki

Diversão de domingo: Quem for a Tóquio e não visitar o Teatro Kabuki-za é como se tivesse ido ao céu e esquecido de dar uma checada no Pai Eterno. Aquele é o palco mais famoso do mais famoso gênero teatral oriental, o Kabuki. A história do prédio é tão dramática quanto algumas das peças ali…

Que delícia de velório!

Em muitas peças que vi ultimamente, chegava um momento em que eu começava a consultar o relógio. A falta de teatralidade, o baixo interesse no que via me faziam torcer para aquilo acabar logo. Algumas delas pareciam que, enfim, iam terminar, mas recomeçavam, infinitamente, para além de noções básicas de ritmo e dramaturgia. Com As…

Vertigens capturadas

São Paulo está vendo uma intensa colaboração entre o grupo Teatro da Vertigem e o documentarista e dramaturgo Evaldo Mocarzel. Na última Mostra Internacional de Cinema de SP, o público tomou contato com duas versões de BR-3: um registro da épica montagem homônima do Vertigem nas águas e margens do Tietê, e uma investigação documental…

Machado redivivo no Cosme Velho

No último fim de semana, passei bons momentos sob os eflúvios de Machado de Assis. No Casarão Austregésilo de Athayde, ali bem perto de onde morava o “Bruxo do Cosme Velho”, um grupo liderado por Gisela de Castro está encenando – melhor seria dizer “degustando” – o conto Linha Reta e Linha Curva. O espetáculo…

Yes, nós sabemos copiar

As montagens de Charles Moeller e Claudio Botelho estão conseguindo desmentir uma noção que pautou por muito tempo as discussões sobre o que seja a nossa identidade nacional: a incapacidade de copiar. Paulo Emílio Salles Gomes via nessa incapacidade o grande trunfo da chanchada. Como não tínhamos condições técnicas e artísticas de fazer filmes de…

Acontece por aí

Update: Começa quinta, na Casa do Saber da Lagoa, o curso “Entre a Tela e o Divã”, com o psicanalista e crítico de cinema Luiz Fernando Gallego. Ele explica que vai falar “de Orson Welles, William Wyler, Gregg Toland, André Bazin, Visconti, Pasolini, Bertolucci, Scorsese e Kubrick – pelo lado da tela. Com pitadas de Freud,…

Uma chave para “Moscou”?

No último – e excelente – programa Cinema em Sintonia, de Andrea Cals (ouça aqui o podcast), Eduardo Coutinho deu uma chave de leitura para Moscou que eu ainda não tinha lido em nenhum texto crítico. Enquanto Jogo de Cena partia da vida real para chegar ao teatro, em Moscou ele pretendeu fazer o inverso: sair…

O Nós e o Eu no CCBB

Com essas duas imagens de mulher me deparei no CCBB na última quarta-feira. À esquerda, a operária do metrô pintada por Alexandre Samokhvalov, que integra a magnífica exposição Virada Russa. À direita, Beth Goulart transfigurada na ucraniana (de nascimento) Clarice Lispector, na peça Simplesmente Eu. Para além das diferenças óbvias entre a carnuda proletária do nascente…

O segundo parto de Maria Borba

Agora só tem mais dois fins de semana para ver Formas Breves, o novo espetáculo (ou exercício) de Bia Lessa. Bia foi referência da revolução dos encenadores no teatro brasileiro nos anos 1980 e 90. Depois voltou-se para uma certa teatralização de exposições, desfiles de moda etc. Em Formas Breves ela volta ao teatro puro,…

Minha dificuldade de chegar até “Moscou”

A semana cinematográfica foi agitada por um artigo de Eduardo Escorel na revista piauí, onde ele fez sérias restrições a Moscou, dirigido pelo amigo Eduardo Coutinho e produzido pelo editor da revista, João Moreira Salles. O blog da Folha Ilustrada repercutiu e colheu respostas de Coutinho. Eu pensei em publicar imediatamente este artigo que já…

Ver Débora

Esta semana ela entrou na minissérie Som & Fúria como Julieta no baile de Verona. Só havia olhos para Débora Falabella. Ela fazia uma Julieta cujo amor transbordava da personagem para a atriz. E a gente não se contentava em gostar somente da personagem. Esses dias ela está também no palco do Teatro Nelson Rodrigues,…

Uma invasão canadense?

Brilhante! É o mínimo que se pode dizer da minissérie Som & Fúria, de Fernando Meirelles na Globo. A intensidade e a velocidade características da TV são usadas não para jogar areia nos olhos do espectador, mas para despejar inteligência cênica, acelerar o humor e aditivar a ironia de um texto provocante. Vá lá que…

“In On It”: olhares fora do eixo

Uma das melhores notícias da cena teatral carioca recente foi a prorrogação da temporada de In On It no Oi Futuro. Vai até o dia 19, mas a essa altura já deve estar com ingressos esgotados. Pobre de quem perdeu. A peça do canadense Daniel MacIvor, tal como dirigida por Enrique Diaz e interpretada por…

Brecht à prova de bala

Quando fazia suas encenações no Teatro Nelson Rodrigues e não conseguia impedir que o teatro vendesse balas, Gerald Thomas comprava todo o estoque da bonbonnière. Assim evitava acréscimos indesejáveis à elaborada sonoridade de suas peças.  O Teatro dos Quatro sofisticou o sacrilégio: um baleiro percorre a plateia mercando seus produtos até o momento do segundo…

De Caligari a Nelson

Ontem à noite pensei que fosse rever um velho amigo depois de quase 20 anos. Eu estava na estreia da primeira encenação profissional de Marco Antonio Braz, o monólogo Ária de Serviço, de Victor Giudice, no CCBB-Rio, em 1991. Desde então, Braz mudou-se para São Paulo, bebeu na fonte de Antunes Filho e virou referência…