Retrato solene do poeta inútil

janeiro 31st, 2010 § Deixe um comentário

 

Há muita pedra no caminho de quem se dispõe a varrer o chão de Manoel de Barros. Sua poesia, cheia de insignificâncias profundas, pede mão leve e olhar arejado. Sua vida, toda ela virada contra a parede, não rende grandes cenas nem parece abarcar grandes histórias. Joel Pizzini descobriu isso quando tentou fazer um doc sobre o poeta pantaneiro e acabou desfazendo o curta-poema Caramujo-Flor. 

Pedro Cezar, em Só Dez por Cento é Mentira, experimentou o caminho do meio. Ou seja, combinar o-poeta-por-ele-mesmo com o-poeta-por-outros e o-poeta-espalhado-no-mundo. Obteve de Manoel uma rara entrevista “para a máquina”. Colheu flores de admiração de Pizzini, Bianca Ramoneda, Elisa Lucinda, Viviane Mosé e Fausto Wolff. Arrebanhou gente que cria por causa de Manoel: um fabricante de objetos poéticos, um escultor brutalista, um guia turístico de “manoelês” em Corumbá. Ouviu parentes, salpicou versos na tela, construiu estrofes visuais para sugerir a materialidade e a meninice da poesia manoelina.

O resultado é solene, vistoso e sobrecarregado, a ponto de não condizer muito com a delicadeza da poesia que se vê e ouve. O próprio poeta, quando fala, convenhamos, não contribui muito para ficar igual ao que escreve. A ininterrupta consciência de ser um poeta absoluto, assim como um suave e sorridente egocentrismo, tingem suas palavras de fio a pavio. Até porque esse tipo de louvação o estimula a passar sempre a mesma imagem.

Só Dez por Cento é Mentira é o que o senso comum espera de um “documentário sobre Manoel de Barros”. Mas foram os próprios versos do poeta que nos ensinaram a esperar o inesperado, o paradoxo que desconcerta o senso comum. Tem muita coisa no filme, mas faltou talvez o essencial.

Os filmes-processo

janeiro 29th, 2010 § 4 Comentários

Hoje, sexta, viajo cedinho para a Mostra de Cinema de Tiradentes, a tempo de participar da mesa sobre “A Estética do Processo – os Filmes por trás dos Filmes”. Pedro Butcher, Cezar Migliorin e eu vamos conversar sobre um dos traços mais marcantes do cinema contemporâneo, que é a reflexividade – os filmes que expõem ou comentam seu próprio processo de realização.

Certamente estarão em foco filmes como Aquele Querido Mês de Agosto, Romance de uma Geração, Juventude em Marcha, diversos de Eduardo Coutinho e A Falta que Nos Move, de Christiane Jatahy. Todos trazem algum raciocínio sobre a representação no cinema e se constroem através de uma suposta desconstrução de seus mecanismos narrativos.

Na minha participação, pretendo abordar uma variante dessa questão: os filmes que apresentam uma “reflexividade para fora”, ou seja, tratam do processo não deles próprios, mas de algo que lhes é análogo. Por exemplo, Moscou nos faz mergulhar no processo de preparação de uma peça, embora não seja o making of de um espetáculo. O processo da peça de Tchekov é também o processo do filme. Mas, por ser principalmente da peça, o filme, a meu ver, se frustra como objeto cinematográfico.

Outro caso interessante é Santiago, de João Moreira Salles. O filme trata do processo de um filme que não foi feito nos anos 1990. É o making of crítico de um filme que nunca existiu, enquanto o Santiago afinal existente nos chega como uma máquina de significações perfeitamente fechada, pronta, inexpugnável. Temos apenas a ilusão de conhecer o processo de realização do Santiago definitivo.

Se der tempo, quero falar um pouco também do curta A Letter to Uncle Boonmee, que vi na internet. Nesse filme, o tailandês Apichatpong Weerasethakul comenta os impasses que enfrentou para fazer um longa sobre o mesmo tema: um homem moribundo e capaz de recordar suas vidas passadas. Uncle Boonmee é um projeto multiplataforma sobre extinção e memória que o cineasta está tocando na Tailândia com patrocínio europeu. O curta tem uma narração em off e até o desvelamento de procedimentos de câmera que servem para falar de um processo maior em curso.

Tiradentes tem clima para esses papos.    

Jovens fora do eixo

janeiro 27th, 2010 § Deixe um comentário

Vem aí uma onda de filmes brasileiros sobre as alegrias e agruras da adolescência. César Rodrigues e a Total Entertainment preparam o lançamento da franquia High School Musical: O Desafio; Laís Bodanzky retoca para abril As Melhores Coisas do Mundo; Esmir Filho já comprovou com o grande prêmio do Festival do Rio a qualidade do seu primeiro longa, Os Famosos e os Duendes da Morte, a ser lançado em março.    

Nesse surto de espinhas e pingentes em forma de coração há lugar também para dois documentários produzidos fora do eixo dominante Rio-São Paulo-Pernambuco. Eles têm tantas semelhanças que parecem conversar através das montanhas entre Minas e o Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, são filmes muito diferentes entre si. Continue lendo

Bios do Twitter

janeiro 25th, 2010 § 21 Comentários

(Se você gosta de cinema, acompanhe o meu blog)

Tenho o estranho hábito de reparar como as pessoas registram sua biografia no Twitter. O espaço para isso é pouco mais generoso que o de um tweet qualquer: 160 caracteres. Ali cada twitteiro deixa uma pista (ou um despiste) sobre si próprio. Anotei algumas “bios” de brasileiros que me pareceram curiosas:

Tem os engraçadinhos:

@fnazareth  Não se deixem enganar. Sou um leitor.

@FrancisFrenezy Nãoseiusarotwitter-entendeu?

Tem os aparentemente sinceros:

@patricia_caes diretora de arte – mineira – apaixonada por propaganda, pao de queijo e futilidades de grande impacto.

@argolo Preguiçoso, feio, pseudo-intelectual, duro e a pé.

@vidademerda Minha vida é uma merda, mas não dou a minima. Só as melhores desgraças no Twitter. Visite o site para a lista completa.

Os “modestos”:

@alaidenc  Uma única qualquer

@ Cintia_Martins  Simplesmente Cíntia!

Os pensadores:

@caroldeassis  No elevador penso na roça, na roça penso no elevador

@luparhan para bom entendedor, meias palavras; para bom descritor, 140 caracteres…

E os poliglotas:

@gugavalente Chelovek s kino-apparatom e um chopp

@isisnan  평화와 사랑

Minha bio talvez se encaixe nos “sem imaginação”:

@carmattos Crítico de cinema, amante de documentários, viajante apaixonado

Leia Mais Bios do Twitter 

Quem tinha medo de Paulo Francis?

janeiro 23rd, 2010 § 2 Comentários

Não é preciso ser um admirador de Paulo Francis para gostar de Caro Francis, o documentário de Nelson Hoineff sobre um de seus maiores amigos durante 19 anos. Eu mesmo rejeitava o elitismo que parecia atravessar a personalidade inteira do jornalista – da política à cultura, do humor à baixa estima que destilava pelas coisas brasileiras. Francis era republicano, antipopular, racista, sexista, talvez um tanto misantropo – ou seja, tudo o que pessoalmente abomino. No entanto, apreciei este perfil traçado com honestidade pelos seus próprios amigos e ex-colegas de trabalho. Continue lendo

O homem que também fazia músicas

janeiro 22nd, 2010 § 3 Comentários

Na minha resenha de O Homem que Engarrafava Nuvens (leia aqui), fiz rápida menção ao fato de o filme não destacar devidamente as letras, o que teria sido a contribuição principal de Humberto Teixeira nas suas parcerias com Luiz Gonzaga. Ao ler isso, meu amigo Jairo Severiano, um dos maiores pesquisadores da MPB, ponderou comigo que Humberto é responsável também pela música de muitos baiões de sucesso da dupla. Não haveria, portanto, uma divisão muito rígida entre músico e letrista.

Jairo possui uma cópia do longo depoimento de Humberto Teixeira ao pesquisador cearense Nirez, dado em 1977 para o Museu Cearense da Comunicação. Vários trechos desse depoimento estão no áudio do documentário de Lírio Ferreira. Para ilustrar sua colocação, Jairo transcreveu uma pequena passagem que não se ouve no filme, onde Humberto esclarece a natureza da parceria. Veja aí:

“Principalmente depois do processo de mitificação de Luiz Gonzaga, a redescoberta que a onda baiana fez em torno de Luiz Gonzaga, muita gente querendo ser generosa diz que eu sou o letrista das músicas de Luiz Gonzaga. Não existe nada disso. Muitas delas são minhas integralmente, letra, música, tudo… como outras são do Luiz. Na nossa parceria, eu costumo dizer, não sei onde começa o poeta e onde termina o músico. É uma parceria indestrutível, muito amiga, muito fraterna, de maneira que o que não foi feito por ele eu considero feito e vice-versa. A recíproca é absolutamente verdadeira. (…) Eu nunca me importei muito com esse processo de eu ter ficado atrás do reposteiro.”

Jairo Severiano esclarece, inicialmente, que a tal “onda baiana” citada por Humberto refere-se à “conhecida onda de elogios desencadeada por Caetano e Gil em louvor ao sanfoneiro e que resultou em sua ressurreição profissional”.

Por fim, Jairo me passou o seguinte comentário, de sua lavra:

“Além de sua importância, dividida com Teixeira, no processo de estilização da música nordestina, Luiz Gonzaga foi o grande divulgador do gênero. A presença intensa do cantor-sanfoneiro nos palcos, no rádio e no disco, com sua competência, sua simpatia, seu carisma, fez dele uma das maiores figuras de nossa música popular no século XX. Sem Luiz Gonzaga o baião jamais teria chegado ao sucesso alcançado. Tudo isso está reconhecido e exaltado em outro trecho do depoimento de Humberto Teixeira”.

Jairo Severiano é autor dos livros Yes, Nós Temos Braguinha (Funarte/Martins Fontes, 1987), A Canção no Tempo – 85 Anos de Músicas Brasileiras (2 volumes, co-autoria de Zuza Homem de Mello, Ed. 34, 1997) e o definitivo Uma História da Música Popular Brasileira (Ed. 34, 2008)   

Que delícia de velório!

janeiro 20th, 2010 § Deixe um comentário

Em muitas peças que vi ultimamente, chegava um momento em que eu começava a consultar o relógio. A falta de teatralidade, o baixo interesse no que via me faziam torcer para aquilo acabar logo. Algumas delas pareciam que, enfim, iam terminar, mas recomeçavam, infinitamente, para além de noções básicas de ritmo e dramaturgia.

Com As Meninas, de Maitê Proença e Luiz Carlos Góes, só depois de sair do teatro, no último sábado, foi que me dei conta de não ter olhado, uma vez sequer, para o meu Swatch. Mais que isso. Quando a peça fez menção de terminar, com a ação cortada por um samba bem à moda de Amir Haddad, eu lamentei. Queria um pouco mais. E para minha sorte, findo o interlúdio sambístico, a peça recomeçava numa espécie de último ato. Eles pareciam ter ouvido o meu desejo. 

As Meninas não é a primeira peça que se passa num velório. Mas aqui o fato grave – a morte de uma mulher jovem e apaixonada, morta a facadas pelo marido ciumento – é visto pelo olhar entre lúdico e assustado de duas meninas, a filha e a sobrinha da morta. Na fantasia das meninas, tudo é deliciosamente exagerado ou minimizado. A avó inconsolável é uma megera de filme da Disney. A tia vaidosa é uma personagem de Fellini. A própria falecida reaparece para celebrar enfim a liberdade. E até a bisavó ressurge do além com suas vidências amalucadas.

O texto parece um encontro de Nelson Rodrigues e Tim Burton. Enleva, diverte e comove enquanto faz refletir sobre os reflexos do mundo adulto na formação dos adolescentes. Dá para imaginar que tudo aquilo poderia soar ridículo não fossem a direção primorosa de Amir Haddad e o talento e a precisão das atrizes, todas elas. E ainda uma trilha sonora de clássicos tão bem escolhidos e posicionados que as falas soam como se nascidas já com a música.

As Meninas reestreou no Teatro Clara Nunes de quinta a domingo. A quem ainda não viu, recomendo enfaticamente. Nem precisa levar o relógio.

O cinema natural de Heddy Honigmann

janeiro 18th, 2010 § 2 Comentários

O nome da cineasta holandesa Heddy Honigmann não sugere qualquer ligação  com o mundo latino. Mas Heddy nasceu no Peru e volta e meia filma na América do Sul. Seu mais recente documentário, exibido no É Tudo Verdade/2009, foi El Olvido, uma tocante galeria de gente humilde da sua cidade natal, Lima (ele pode ser visto aqui, falado em espanhol com legendas em holandês).

A Videofilmes está lançando um DVD com dois outros docs latinos de Heddy Honigmann: Metal e Melancolia e O Amor Natural. São duas amostras da incrível capacidade da diretora de se acercar de pessoas comuns para extrair emoções e entusiasmos com a maior simplicidade e delicadeza. Continue lendo

Baião, que bom tu sois

janeiro 16th, 2010 § 3 Comentários

Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga

Ao contrário de muita gente boa, eu não gostei de Cartola – Música para os Olhos, o doc com que Lírio Ferreira e Hilton Lacerda quase afogaram o sambista num mar de referências estapafúrdias (leia minha resenha). Se os dois pernambucanos não acertaram o compasso do samba, a afinidade de Lírio com o baião rende agora um filmaço com O Homem que Engarrafava Nuvens (conheça o blog do filme). Toda a invenção, o cruzamento de alusões e eixos narrativos, que em Cartola pareciam pretensiosos, aqui se justificam plenamente e formam uma unidade coesa.      

Humberto Teixeira era um homem brilhante e conservador, co-responsável (com Luiz Gonzaga) por impor o baião como uma das matrizes da música popular brasileira, aqui e no exterior. Com roteiro e edição primorosos, o filme costura as dimensões humana e artística do personagem sem jamais perder a graça e o ritmo. Pontua os elos entre o baião e manifestações tão diversas da MPB quanto os cegos cantadores, o Tropicalismo, Raul Seixas, o pop pernambucano e até, quem sabe, o reggae. Não dá pra sair do filme sem uma ponta de orgulho por tanta musicalidade.  

Talvez fosse interessante ressaltar melhor o aspecto mais marcante da contribuição de Humberto Teixeira, que foram as letras. O foco acaba mesmo na música, perigando reforçar a desigualdade do peso em relação a seu parceiro estelar (Leia update sobre o assunto). Há quem reclame da “lavagem de roupa suja” de Denise Dumont (filha de Humberto, produtora e co-roteirista do filme), mas isso me pareceu completamente orgânico pela forma como o doc se organiza desde a sequência inicial.  

No fim das contas, temos um perfil criativo, às vezes empolgante, de um grande artista que soube combinar como poucos o erudito e o popular. Eu poderia tecer loas à fotografia de Walter Carvalho e às deslumbrantes imagens de arquivo garimpadas por Antonio Venancio, mas prefiro fazer outra coisa: deixar vocês com o texto que Felipe Messina escreveu para o DocBlog em 2008, muito mais inspirado do que o meu.   Clique para ler

Um Herzog surpresa

janeiro 15th, 2010 § 1 Comentário

Taí a pílula que escrevi sobre Vício Frenético, de Werner Herzog, no último Festival do Rio:

É preciso dar uns 15 minutos para sintonizar-se com a proposta de Werner Herzog nesse filme surpreendente sob todos os aspectos. O que a princípio soa ridículo e caricato aos poucos ganha foros de sátira ao policial hollywoodiano e à dramaturgia da redenção. Reinvenção do thriller homônimo de Abel Ferrara, tem mais humor, veneno e loucura que o original. Herzog encontrou em Nicolas Cage seu novo Klaus Kinski: postura de Nosferatu, cabelo do próprio Herzog, pique doidão de Cage mesmo. O tenente que usa o poder policial para alimentar sua dependência química e saldar suas dívidas de jogo é aqui uma bomba sempre prestes a explodir. E como estamos em território herzoguiano, não faltam visões de iguanas (filmadas pelo diretor), jacarés atropelados e almas dançando após um tiroteio. O mais inesperado, porém, é o humor impudente, quase tarantinesco, que Herzog imprime em todo o filme, com alguns momentos definitivamente antológicos. ♦♦♦♦

10 regras de etiqueta no Twitter

janeiro 14th, 2010 § 7 Comentários

Nos seis meses em que estou no Twitter, pude notar que certas condutas podem assegurar um fluxo claro e amigável de mensagens no microblog. Mas nem todo mundo parece ligado nessas regrinhas não escritas. A título de colaboração cidadã, escrevi esses 10 tópicos de etiqueta:

1. Poupe seus seguidores de overdose. Não sobrecarregue a caixa alheia com tudo o que lhe vier à cabeça ou parecer interessante repassar (retuitar). Dez ou doze tweets por dia parecem números razoáveis. A não ser que você seja uma agência noticiosa.

2. Esqueça a reciprocidade. Não se sinta obrigado a seguir quem lhe segue. Esse é o espírito do Twitter. Compreenda que muitos dos que você segue também não estão lhe seguindo. Portanto, nada de stress.  

3. Refreie a vaidade. Retuitar uma mensagem alheia de elogio a você, só quando contiver informação relevante ou alguma graça especial. Do contrário, vai soar tolo e cafona (isso mesmo, cafona).

4. Preserve o tweet alheio. Se quiser fazer algum comentário ou acréscimo ao retuitar uma mensagem, faça-o sempre antes do RT @…….. Se o seu plus aparecer depois, será interpretado como parte do que o outro disse.

5. Resista à facilidade do botão de retweet automático. Ele poupa o trabalho de recortar e colar, e por isso estimula o retweet indiscriminado. Pense bem se a mensagem vai interessar à maioria dos seus seguidores tanto quanto interessou particularmente a você.

6. Mencione a fonte da informação. Quando, em vez de retuitar, você vai repassar uma mensagem reeditada, sobretudo se ela for importante e/ou rara, dê o crédito a quem a enviou: (via @…….).

7. Direcione corretamente as respostas. Quando a resposta (reply) a um tweet só interessar àquela pessoa, sempre comece com @….. Se você escrever um caractere sequer antes disso, a resposta vai para todos os seus seguidores. Isso, quase sempre, é como ouvir conversa alheia sem saber o assunto.

8. Indique o assunto da resposta. Mencione uma palavra ao menos que indique sobre o que você está respondendo. Se não, a resposta pode chegar como um enigma.

9. Aproveite a privacidade. O Twitter tem o dispositivo da mensagem direta (direct message) para enviar tweets exclusivos. Use-o para assuntos de interesse particular em vez de coalhar a caixa geral. No caso de seguidores recíprocos, essa função é acessada a partir do menu da direita. Se você não segue o destinatário, mas ele o segue, basta entrar no Tweet dele e clicar “direct message to” no menu da rodinha dentada.

10. Seja diplomático. Use periodicamente o botão de pesquisa do seu username (na coluna da direita, logo abaixo de Home) para checar quem andou mencionando você ou retuitando suas mensagens. Se você não os segue, essa é a única forma de acompanhar. Daí podem resultar diálogos interessantes.

P.S. Por favor acrescentem ou discutam nos comentários 

Sarney por ele mesmo

janeiro 12th, 2010 § 2 Comentários

Quando completar 80 anos em abril, José Sarney terá uma comemoração em forma de documentário. Não, não estou falando do projeto de Silvio Tendler, anunciado há poucos dias. José Sarney, Um Nome na História já está pronto desde o ano passado. Foi o último trabalho dirigido por Fernando Barbosa Lima (1933-2008) na sua produtora FBL, concluído já depois de sua morte. Vai circular em DVDs e ser exibido na televisão.

O vídeo, bastante clássico, se organiza em torno de uma entrevista-base de Sarney, coadjuvada por alguns depoimentos de parentes e políticos, além de cenas de arquivo. O programa principal enfoca a infância e adolescência no Maranhão e a trajetória política que o levou, por uma artimanha do acaso, a ocupar a presidência da República de 1985 a 1990.  Continue lendo

O melhor amigo do cão

janeiro 10th, 2010 § Deixe um comentário

Diversão de domingo:

Green Beret (Boina Verde), 2005

Se o cão é o melhor amigo do homem, William Wegman provou que essa amizade pode render muito diante de uma câmera. Na década de 1970, quando o vídeo chegou às mãos de artistas como ele, Wegman fez furor com as performances de seus weimaraners, uma raça inteligente conhecida como “cachorros com cérebro de gente”. Um deles, chamado Man Ray, entrou para a história da arte contemporânea em séries clássicas de fotos e vídeos.

Nos vídeos dos anos 70, os cães são manipulados pelo olhar, pelo apetite ou mesmo pelo toque físico do artista. O efeito é hilariante, embora role ao mesmo uma ternura no olhar triste dos weimaraners. Na seleção abaixo, de 9 minutos, estão alguns momentos antológicos dessa parceria. Chama atenção o trecho em que Wegman pratica uma manipulação sexual em Man Ray.

 

William Wegman, 67 anos, é também pintor e desenhista (conheça seu site). Seus trabalhos de artes plásticas conheceram uma grande evolução nas três últimas décadas, partindo do desenho tosco para telas rebuscadas e colagens divertidas. Em matéria de fotos, ele sempre foi genial – o Richard Avedon da expressão canina. Mas nos vídeos, Wegman trocou o preto-e-branco dos 70 pela cor e ficou um tanto aborrecido e presunçoso. Nada do que ele gravou recentemente parece ter o humor e a simplicidade de Stomach Song. Não deixe de ver essa pérola de pouco mais de 1 minuto. No site de Wegman, entre em Galeria, Vídeos 1970-77. É o primeiro.  

    

Elly desaparece para os outros “aparecerem”

janeiro 8th, 2010 § 2 Comentários

O cinema iraniano que aprendemos a amar se caracteriza por alguns ingredientes típicos. O estilo franciscano de Jafar Panahi ou Majid Majidi, por exemplo. Os deslocamentos no espaço e a metalinguagem de Abbas Kiarostami. O proselitismo político da família Makhmalbaf. Nada disso está presente em Procurando Elly, a mais nova grande revelação daquele celeiro de bons filmes. O diretor Ashgar Farhadi, em seu quarto longa-metragem, impõe-se como nova estrela a partir do Urso de Prata em Berlim e mais uma penca de prêmios internacionais. 

Elly traz acréscimos de sofisticação à narrativa do cinema iraniano. Como bem notou Ely Azeredo à margem de sua forçosamente sucinta resenha em O Globo, o filme evoca ingredientes de Antonioni, Hitchcock e Buñuel. As primeiras sequências, de um naturalismo aparentemente banal, apenas colocam as bases para o thriller emocional que vai envolver os personagens após o misterioso desaparecimento de uma moça na casa de praia. A partir daí, arma-se uma rede de dúvidas, expectativas, mentiras, intrigas, culpas e transferências que espelham dilemas éticos e morais de uma sociedade modernizada na superfície enquanto, em profundidade, permanece atada ao obscurantismo.  Continue lendo

Aplauso online

janeiro 6th, 2010 § Deixe um comentário

Dos seis livros que escrevi sobre cineastas brasileiros, quatro foram para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de SP. A coleção coordenada por Rubens Ewald Filho, Marcelo Pestana e Carlos Cirne engloba biografias, roteiros, coletâneas de críticas e outros textos relativos a cinema, teatro e mais recentemente música. Os relatos biográficos são escritos em primeira pessoa, embora o trabalho de coleta, organização e redação seja feito por jornalistas e críticos. É um formato interessante, que tira do artista a tarefa às vezes indesejada de botar sua trajetória no papel.

Os livros da Aplauso agora estão disponíveis para leitura online no site da Imprensa Oficial. Os meus podem ser acessados diretamente aqui:

Carla Camurati – Luz Natural (2005)

Jorge Bodanzky – O Homem com a Câmera (2006)

Maurice Capovilla – A Imagem Crítica (2006)

Vladimir Carvalho – Pedras na Lua e Pelejas no Planalto (2008)

É muito bom encontrar seus livros na rede, à disposição de quem quiser folhear. Principalmente quando você já recebeu direitos fixos por todo tipo de publicação (uma merreca, tudo bem) e não depende do desempenho nas livrarias. Mas ainda não sei bem o que pensar sobre quem vive de uma parcela das vendas e topa com seu trabalho pirateado na internet. Tomei um susto quando vi meu primeiro livro, Walter Lima Júnior – Viver Cinema (2002) escaneado no Google Livros. Depois verifiquei que é uma visualização parcial, com muitas páginas saltadas – e até com páginas dobradas acidentalmente. Estou para ver um método de divulgação tão esquisito.

Quanto a Eduardo Coutinho – O Homem que Caiu na Real (2004), edição portuguesa que circulou pouco no Brasil, ainda penso uma forma de colocá-la na rede em breve. Mas primeiro preciso atualizar. Coutinho se reinventa tanto que fica difícil acompanhá-lo. 

 

Crítica carioca elege melhores de 2009

janeiro 5th, 2010 § Deixe um comentário

Entre os Muros da Escola, o incrível mix de ficção e documentário de Laurent Cantet, foi eleito o melhor filme do ano pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro. Da votação na noite de terça, participaram 15 críticos, entre os quais eu não me incluí.

Os outros nove eleitos foram Bastardos Inglórios/Quentin Tarantino, Gran Torino/Clint Eastwood, Amantes/James Gray, Foi Apenas um Sonho/Sam Mendes, A Troca/Clint Eastwood, Beijo na Boca, Não/Alain Resnais, Deixa Ela Entrar/Tomas Alfredson, Abraços Partidos/Pedro Almodóvar e Cidadão Boilesen/Chaim Litewski.

Em breve será anunciada uma mostra retrospectiva desses filmes, seguidos de debates com a turma da ACCRJ.

Quem quiser comparar essa seleção com a minha pessoal verá que só dois títulos coincidem. Grupo não tem cara, é sempre assim.         

Memórias do Super 8

janeiro 4th, 2010 § 6 Comentários

Leia o update de Clóvis Molinari Jr. no final do texto

Se você tem mais de 35 anos, é provável que tenha pelo menos frequentado algumas sessõezinhas de Super 8. Fosse para ver as últimas travessuras das crianças, suportar as imagens tremidas da recente viagem do amigo ou babar com as proezas de alguma estrela pornô em cópias contrabandeadas. Talvez você tenha até cometido algumas filmagens com aqueles rolinhos e montado com cortadeira e coladeira que pareciam de brinquedo. Como eu, que, junto com meu amigo Julio Bronislawski, cheguei a vencer um festivalzinho em Campinas com um curta de desenlace amoroso inspirado na música de Piazzolla.

Mas se você tem menos de 30 anos, é capaz de nem saber o que é Super 8. Se bem que a bitolinha nunca tenha saído da mira dos documentaristas em busca de arquivos domésticos e tenha voltado à moda há algum tempo como diferencial estético em filmes experimentais. Os do Cao Guimarães, por exemplo. Para quem não conhece ou quer rever o fascínio portátil desse “outro cinema”, começa à meia-noite de segunda para terça no Canal Brasil a série Super 8 – Tamanho Também é DocumentoContinue lendo

Lula, o mito do Brasil

janeiro 2nd, 2010 § 4 Comentários

Lula, o Filho do Brasil entrou ontem em cartaz com três entraves a sua vocação de grande sucesso de bilheteria. O primeiro diz respeito às resistências políticas de quem acusa o filme e seu personagem de oportunismo eleitoreiro. Exagero, uma vez que é cedo demais para surtir efeito em novembro e Lula não concorre a um terceiro mandato. De qualquer forma, é difícil lidar com um filme que narra positivamente a história de um presidente ainda no poder.  

O segundo entrave é o tempo decorrido desde que o filme ganhou seu pique de exposição, há mais de um mês. Festival de Brasília, pré-estreias, exibição para Lula, muitas opiniões na imprensa – e depois disso a sensação de que todo mundo já “viu”, mesmo quem ainda não assistiu.

Essa antecipação, de certa maneira, acabou servindo para cumprir um calendário que agora não poderia ser cumprido, com o diretor Fábio Barreto em coma induzido após o grave acidente que sofreu. O lançamento ocorre, portanto, com alguma reserva, sob o signo da preocupação com a saúde de Fábio. Esse, o terceiro entrave.  Continue lendo

Onde estou?

You are currently viewing the archives for janeiro, 2010 at ...rastros de carmattos.