Balanço do meu ano cinematográfico

Não posso me queixar. O ano de 2022 foi proveitoso em matéria de realizações. Lancei dois livros digitais, fiz uma curadoria bacana e um vídeo em geral bem recebido, e ainda ganhei duas distinções tão simpáticas quanto inesperadas.

Em maio, início da corrida eleitoral, a plataforma Itaú Cultural Play abriu a mostra Viva a Democracia, para a qual selecionei 12 filmes brasileiros que abordavam campanhas políticas. Ficou em cartaz até novembro.

A 31 de agosto, quando se completavam seis anos da derrubada de Dilma Rousseff, lancei meu segundo site-livro, Cinema Contra o Golpe, com textos meus e de outros autores sobre 50 filmes que trataram do processo político brasileiro entre 2013 e 2018. Está disponível gratuitamente, assim como o anterior Paisagens do Fim, de 2021.

Em outubro foi a vez de o site do Instituto Moreira Salles editar o e-book O Primeiro Cabra, com o roteiro original (de 1964) de Cabra Marcado para Morrer acrescido de uma análise minha sobre o projeto abortado pelo golpe de 1964 e sua utilização no filme de 1984. Este também está disponibilizado de graça.

Depois de trabalhar por mais de um ano na pesquisa e na edição, divulguei em dezembro a minha videomontagem Taiguara – Onde Andará teu Sabiá?, meu tributo a esse grande músico e ser político que admiro desde a juventude. Está igualmente ao alcance de qualquer um na plataforma Vimeo, onde já soma mais de 3 mil visualizações.

O Vimeo abriga, ainda, meus vídeos de viagem, cuja edição é um hobby que me consola nesses tempos de reclusão forçada. Ao longo de 2022, finalizei 14 vídeos gravados em Vietnã, Itália, Croácia, Índia, Turquia, Chile, México, Austrália, Nepal e Inglaterra.

Consternado com a perda de Patrícia Monte-Mór, madrinha do cinema etnográfico brasileiro, em janeiro, empenhei-me junto com outros amigos na criação de um prêmio com seu nome, que começou a ser conferido em alguns festivais especializados ou não.

Já próximo do final do ano, fui agraciado com duas surpresas interessantes. A revista britânica Sight and Sound me convidou para ser um dos votantes em sua célebre enquete dos melhores filmes de todos os tempos. Bem mais pertinho, os curadores da Medalha do Mérito Cinematográfico acharam por bem me contemplar com uma de suas preciosas latas. Uma festa bonita no Estação Net Rio coroou meu ano cinematográfico. Foto de Beth Formaggini.

Mas nada disso se compara à alegria de ver Lula eleito em 30 de outubro e empossado no dia de ontem. Não só pela vitória contra o fascismo, mas pelas esperanças renovadas quanto ao lugar da cultura na vida brasileira e à reativação dos instrumentos de estímulo ao cinema. Que em 2023 comecemos a sepultar o Brasil da ignorância e da barbárie.

Meus filmes favoritos

Mantive em 2022 meu completo distanciamento das salas de cinema, uma vez que a pandemia não arrefeceu a contento, e o público comparece em peso sem máscaras. Foi mais um ano de muito cinema em casa, nutrido pelo streaming e pelos filmes que me chegavam por diversos caminhos. Assisti a um total de 333 longas-metragens, dos quais destaco os títulos abaixo como meus favoritos.

Cada título em cor contém o link para a respectiva resenha. Não cheguei a publicar textos sobre todos os filmes inéditos comercialmente, mas vou tirar o atraso nos próximos dias e depois colocar os links aqui nas listas.

É claro que gostei de muitos outros filmes, mas aqui estão apenas os 40 que me bateram mais fundo numa combinação de linguagem, estética, tema e emoção.

Filmes de ficção lançados comercialmente

RRR – Revolta, Rebelião, Revolução
O Bom Patrão
Marte Um
Red Rocket
O Perdão
Mães Paralelas
Vortex
Argentina, 1985
Elvis
Fortaleza Hotel

 

Documentários lançados comercialmente

Fé e Fúria
Ascensão
O Território
Liyana
A Trama (minissérie)
Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft
Amigo Secreto
Kobra Auto Retrato
Moto Contínuo
Toada para José Siqueira

 

Filmes de ficção não lançados

Os Banshees de Inisherin
A Conferência
Mass
Tár
Last Film Show
Noites Alienígenas
Três Tigres Tristes
Benediction
A Menina Silenciosa
Close

 

Documentários não lançados

Babi Yar. Context
O Marinheiro das Montanhas
Navalny
Sinfonia de um Homem Comum
Eneida
Não é a Primeira Vez que Lutamos pelo Nosso Amor
Attica
Bem-vindos de Novo
A História do Cinema: uma Nova Geração
Retratos del Futuro

10 comentários sobre “Balanço do meu ano cinematográfico

  1. Excelente Carlinhos! Me apresentou um personagem formidável que eu não tinha ideia, ainda que meu contemporâneo. Parabéns! Obrigado.

  2. Duvido que outro crítico, mesmo que umbilicalmente ligado ao Cinema, como você, tenha experienciado tantas conquistas, novidades e realizações num único ano. Ou tenha tido “punch” (ou “estofo”) cinematográfico suficiente para encarar uma “luta” como essa, com incontáveis “rounds”, sem jogar a “toalha”. Período de tantas tragédias na saúde e destruição quase total da nossa Cultura e de tudo que concerne à Arte, neste País até a semana passada tragicamente conduzido por analfabetos perversos, acompanhar suas intervenções e constatar o que você realizou, criou e disseminou, para os seus seguidores, pode ser considerado um prodígio. Pelos seus feitos aqui sumariamente resumidos, constatamos, igualmente, que seus enfrentamentos foram tantos e incontáveis, em qualquer direção, que parece inverossímil que alguém tenha tido essa capacidade estratosférica de se doar com tal intensidade e constância. Por outro lado, “bater o córner”, correr pra área e cabecear para o gol, como você tem feito, “encarnando” esse papel com tanta versatilidade, como um legítimo “Pelé do écran”, é coisa realmente admirável e digna de aplausos. De forma que tudo que pudéssemos dizer de sua nobilíssima performance, em 2022, em prol do Cinema (e sua não menos notável batalha pela reconquista da nossa Democracia, em tantas intervenções) pareceriam palavras ao vento, diante da edificação de tão nobre e precioso acervo. Tenho certeza de que se você vivesse na França e fosse contemporâneo de Henri Langlois, fundador e “pai espiritual” da Cinémathèque Française, até ele, por certo, tiraria o “chapeau” pra você. Parabéns, Carlinhos, perdoe estas “mal traçadas linhas” e que você não perca essa garra e motivação, neste Novo Ano que se inicia, cercado de tantas expectativas e sonhos, inclusive para o nosso Cinema, com a ascensão de LULA, ao centro do palco. VIVA! Abração.

    • Nelson querido, agradeço suas palavras motivadas mais pela amizade do que pelo assunto do post. Cada um de nós colabora como pode para melhorar a vida de quem está ao nosso redor. Você faz muito pelos humildes na sua terra, e isso é tão grande quanto qualquer realização na área cultural. Afora sua militância escrita, que não é pequena. Um ótimo 2023 para você também!

  3. Querido Carlinhos, uma discordância inapelável: TAR!!!!!!! Como pode??? Não sugiro que veja de novo porque ninguém merece!!! bjs, ótimas listas.

  4. Pingback: Balanço do meu ano cinematográfico – Dinheiro Cadastro

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