Meus filmes favoritos em 2021

Detalhe do cartaz espanhol de “Madres Paralelas”

Lá se foi mais um ano que, sob muitos aspectos, merece ser esquecido. Mergulhados ainda na aparentemente inestancável pandemia, no horror político do neofascismo popular e numa relativa afasia cultural, chegamos ao fim de 2021 tentando reunir migalhas de esperança em tempos melhores.

Passei doze meses sem ir a cinemas, coisa que não me acontecia desde os quatro anos de idade. Mas assisti a 347 filmes de longa-metragem na minha casa, a bordo de uma televisão de 75 polegadas e som espacializado 6.1. Sei que não é a mesma coisa, mas tampouco posso me queixar muito em relação à qualidade de imagem, som e escala. Em comparação com certas salas de projeção que vinha frequentando até março de 2020, acho que estou levando vantagem.

Além de ver filmes, tive algumas poucas atividades nesse campo ao longo do ano. Concluí e lancei meu site-livro Paisagens do Fim, um estudo sobre filmes de ficção que se utilizam de cenários pós-catástrofe reais. Participei, junto com Bebeto Abrantes e Carla Italiano, da curadoria de mais uma edição do seminário Na Real_Virtual sobre documentário brasileiro. Em fevereiro, terminou a temporada da Ocupação Eduardo Coutinho no Instituto Moreira Salles do Rio, da qual fui cocurador junto com a equipe do Itaú Cultural.

Através do streaming e das assessorias de imprensa, pude acompanhar razoavelmente os festivais É Tudo Verdade, Mostra de Cinema de São Paulo e Festival do Rio, além de ter sido jurado do Festival Filmambiente. Participei de uma série de lives, com destaque para várias entrevistas com gente de cinema e teatro na prestigiada Live do Conde, a convite do Gustavo Conde.

Minhas listas de filmes favoritos do ano se restringem, portanto, ao que vi em casa. Por falta de oportunidade online ou mesmo falta de tempo, não assisti a alguns títulos que gostaria de ter visto, como o West Side Story de Spielberg e o badalado Casa Gucci. Ainda assim, creio que minhas escolhas são bastante representativas de como usufruí a temporada.

Como tenho feito nos últimos anos, aqui estão quatro listas: os filmes de ficção e os documentários lançados em salas ou no streaming (todos vistos online, repito) e idem para os não lançados – ou seja, vistos em mostras, festivais e outros recursos da internet. Os links nos títulos levam às respectivas resenhas ou a pequenas notas sobre o filme.

FILMES DE FICÇÃO LANÇADOS

Não Há Mal Algum, de Mohammad Rasoulof
Nomadland, de Chloé Zhao
O Homem que Vendeu sua Pele, de Ben Hania Kaouther
Madalena, de Madiano Marcheti
Quo Vadis Aida, de Jasmila Zbanic
Marighella, de Wagner Moura
Tribunal, de Chaitanya Tamhane
A Mão de Deus, de Paolo Sorrentino
Não Olhe para Cima, de Adam McKay
O Mundo de Glória, de Robert Guédiguian

 

DOCUMENTÁRIOS LANÇADOS

Welcome to Chechnya, de David France
State Funeral, de Sergei Losnitza
Summer of Soul, de Questlove
Tempestade, de Tatiana Huezo
Agente Duplo, de Maite Alberdi
Limiar, de Coraci Ruiz
Cine Marrocos, de Ricardo Calil
Meu Querido Supermercado, de Tali Yankelevich
Ressaca, de Vincent Rimbaux e Patrizia Landi
A Ponte de Bambu, de Marcelo Machado

Menção Especial: Me Cuidem-se!, de Bebeto Abrantes e Cavi Borges (2020-2021), pelo pioneirismo na abordagem humanística da pandemia Covid-19.

FILMES DE FICÇÃO NÃO LANÇADOS

Madres Paralelas, de Pedro Almodóvar (Festival do Rio)
Belfast, de Kenneth Branagh (Festival do Rio)
Urubus, de Claudio Borrelli (Mostra SP)
Listen, de Ana Rocha de Souza (Mostra SP)
Rio Doce, de Fellipe Fernandes (Festival do Rio)
Carro Rei, de Renata Pinheiro (Festival de Roterdã)
Voltei!, de Ary Rosa e Glenda Nicácio (Mostra de Tiradentes)
A Viagem de Pedro, de Laís Bodanzky (Festival do Rio)
Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental, de Radu Jude (Festival do Rio)
Pureza, de Renato Barbieri (Festival de Santos)

DOCUMENTÁRIOS NÃO LANÇADOS

Pequena Palestina – Diário de um Cerco, de Abdallah Al-Khatib (Mostra SP)
Presidente, de Camilla Nielsson (É Tudo Verdade)
O Amor Dentro da Câmera, de Lara Belov e Jamille Fortunato (Florianópolis Audiovisual Mercosul)
Charlie Chaplin, o Gênio da Liberdade, de Yves Jeuland  
Uma Baía, de Murilo Salles (Festival do Rio)
Fuga, de Jonas Poher Rasmussen (É Tudo Verdade)
O Garoto Mais Bonito do Mundo, de Kristina Lindström e Kristian Petri (Mostra SP)
Os Arrependidos, de Ricardo Calil e Armando Antenore (É Tudo Verdade)
O Melhor Lugar do Mundo é Agora, de Caco Ciocler (Mostra SP)

Menção Especial: O Seu Amor de Volta (Mesmo que Ele Não Queira), de Bertrand Lira, pela grande criatividade na fronteira entre ficção e documentário.

7 comentários sobre “Meus filmes favoritos em 2021

  1. Homem de sorte, teve uma vida cultural intensa, consideradas as circunstâncias em que vivemos no ano que acabou.
    Aproveito muito sua lista de melhores, serve como lanterna pra correr pelos streamings acessíveis e tirar o atraso.
    Bons filmes pra nós neste novo ano.

  2. Carlinhos querido obrigada pela Lista se cuidem muito

    saudades

    beijos

    Luz Paz e muito Amor em 2022 – te desejo de coração!

  3. Vou torcer para todos serem lançados! Tristeza ver que a maioria não assisti. Mas feliz por ver que tem muitos filmes brasileiros nesta sua lista.

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